Tatoo, piercing e idade: novas regras para doação de sangue já valem em MS
Algumas mudanças vão entrar em vigor a partir de 30 de setembro, segundo coordenação do Hemosul
MATO GROSSO DO SUL
8/24/20262 min read


O Hemosul começa a adotar a partir de agora, em Mato Grosso do Sul, parte das novas regras para doação de sangue previstas na revisão da Portaria de Consolidação. Entre as principais mudanças antecipadas estão a redução do período de impedimento para quem fez tatuagem ou colocou piercing e a possibilidade de doadores frequentes continuarem doando depois dos 70 anos, desde que passem por avaliação médica.Atualmente, a média é de aproximadamente 90 doações por dia, patamar considerado baixo. O volume já chegou a 110 diariamente, e a meta é atingir 150 doações por dia com as novas regras, o que representa um aumento de 36,4% em relação a esse patamar.
A previsão inicial era de que as alterações fossem implantadas até 30 de setembro, dentro do prazo de 90 dias estabelecido para adequação às novas normas. Segundo a coordenadora da Rede Hemosul, Marina Sawada Torres, porém, algumas das medidas já podem ser colocadas em prática.A principal flexibilização envolve tatuagens, piercings e maquiagem definitiva. Antes, esses serviços poderiam impedir a doação por até um ano. Agora, o prazo pode cair para sete dias quando o doador conseguir comprovar as condições em que foram realizados. Sem essa comprovação, a restrição será de quatro meses. “É o que mais vai beneficiar os doadores e flexibilizar, na verdade”, afirma Marina.
Também passam a valer agora mudanças relacionadas a exames como endoscopia e colonoscopia. Nesses casos, o período de inaptidão, que antes era de seis meses, passa para quatro meses.Para quadros de gripe sem febre, a alteração é ainda maior. O impedimento, que anteriormente chegava a 30 dias, passa a ser de três dias, desde que a pessoa não tenha apresentado febre.
Outra mudança alcança quem completa 70 anos. Até então, essa era a idade máxima para doação. Com a revisão da norma, doadores frequentes poderão continuar contribuindo mesmo depois dessa idade, desde que sejam avaliados por um médico do serviço de hemoterapia.A idade mínima permanece em 16 anos, com acompanhamento do pai ou responsável legal. Para quem nunca doou antes, a primeira doação continua limitada aos 60 anos.É justamente a nova possibilidade de ultrapassar a barreira dos 70 anos que permitirá a Domingos Paulo Sostis seguir fazendo algo que já faz parte de sua vida há mais de cinco décadas. Aos 70 anos, ele doa sangue há 52 anos, sendo cerca de 30 deles no Hemosul.Domingos conta que começou depois que um colega precisou de sangue para uma criança recém-nascida e nunca mais parou. “É só gratidão. Fazer o bem e não olhar a quem nós devemos fazer. Graças a Deus, Ele me deu uma saúde que é difícil eu ter”, diz.
As novas regras também diminuem de um ano para quatro meses o período de impedimento relacionado a determinados comportamentos considerados de risco, como ter mais de um parceiro no período avaliado.
FONTE: Campo Grande News/ FOTO: Juliano Almeida
